Por Camila Pereira
Em resumo: A Aura Minerals, mineradora de ouro e cobre listada na Nasdaq e na B3, iniciou em 2026 um diagnóstico reputacional com a Caliber. O projeto combina autoavaliação de lideranças, entrevistas com stakeholders e pesquisa nas comunidades das quatro operações brasileiras, transformando a percepção sobre a empresa em base para decisões estratégicas e gestão de riscos.
No setor de mineração, a gestão da reputação deixou de ser uma questão de imagem para se tornar condição de operação. O mesmo vale para setores de infraestrutura e para empresas reguladas de forma geral: organizações que operam sob forte escrutínio público respondem a investidores atentos à agenda ESG, a reguladores e às comunidades diretamente impactadas — e é a reputação que sustenta a licença para operar e a capacidade de crescer. Medir e gerir essa reputação de forma estruturada, com método, dados e escuta dos públicos envolvidos, torna-se, então, uma prioridade de liderança. O caso da Aura Minerals ilustra esse movimento: em 2026, a mineradora iniciou com a Caliber um diagnóstico reputacional multidimensional, capaz de mapear como lideranças, mercado e comunidades percebem a empresa em cada território onde atua.
Com ações listadas na Nasdaq e na B3, a Aura Minerals é uma mineradora focada na extração de ouro e cobre. A empresa opera em 4 estados brasileiros – Mato Grosso, Tocantins, Rio Grande do Norte e Goiás –, além de México, Colômbia, Honduras e Guatemala. Tendo como norte a mandala de cultura Aura 360º – que integra os pilares de pessoas, meio ambiente e governança – a empresa reforça seu compromisso com práticas responsáveis e com a geração de valor para as comunidades onde atua.
Gestão da reputação no setor de mineração: importância estratégica para a Aura Minerals
Para uma mineradora em expansão como a Aura Minerals, a reputação é um ativo que vai além da imagem pública: ela determina a capacidade de operar, crescer e ser reconhecida como parte legítima do desenvolvimento regional. Em um setor marcado por forte escrutínio socioambiental, exigências regulatórias crescentes e uma agenda ESG cada vez mais central para investidores e parceiros, gerir a reputação de forma estruturada deixou de ser opcional; tornou-se condição para a sustentabilidade do negócio.
A presença em quatro estados brasileiros, cada um com perfis comunitários, contextos econômicos e expectativas distintas, coloca a Aura diante de um desafio reputacional que não pode ser tratado de modo uniforme. Cada território exige escuta, compreensão e respostas alinhadas às suas especificidades. É essa diversidade que torna a gestão da reputação um exercício ao mesmo tempo estratégico e local.
Enquanto empresa listada em duas bolsas de valores, a Aura responde a múltiplos públicos de interesse: investidores institucionais, órgãos reguladores, parceiros de negócio e as comunidades diretamente impactadas pelas operações. Nesse contexto, a coerência entre o discurso institucional e a experiência vivida por cada um desses públicos é o que ajuda a determinar o valor reputacional da companhia.
Caliber e Aura Minerals: diagnóstico para a construção da gestão da reputação
Em maio de 2026, a Aura iniciou um projeto abrangente de diagnóstico reputacional com a Caliber, visando uma leitura precisa e multidimensional da sua reputação. A abordagem combina autoavaliação, desk research, pesquisas quantitativas e qualitativas, além de benchmarks nacionais e internacionais.
As frentes do diagnóstico reputacional
O diagnóstico se estrutura em frentes complementares, cada uma dirigida a um público e a uma dimensão da percepção:
| Frente | O que mede | Públicos |
| Autoavaliação (Caliber Scan) | Percepção da liderança sobre a própria reputação e lacunas entre visão interna e externa | Mais de 40 executivos da Aura |
| Entrevistas qualitativas | Percepções em profundidade dos principais stakeholders | Lideranças internas e comunitárias, parceiros, investidores, imprensa, reguladores |
| Pesquisa quantitativa | Percepção dos moradores sobre reputação, operações e relacionamento com a empresa | Comunidades das 4 operações brasileiras (MT, TO, RN, GO) |
| Desk research e benchmarks | Contexto documental e comparações de mercado | Referências nacionais e internacionais |
Em uma primeira etapa, foi aplicado o Caliber Scan – uma ferramenta de autoavaliação – para mais de 40 executivos da organização. Ela permite mapear como a própria liderança percebe a reputação da empresa e identificar eventuais lacunas entre a visão interna e a realidade externa.
Na frente qualitativa, as entrevistas em profundidade são conduzidas com lideranças internas da Aura, lideranças das comunidades onde há operação, parceiros de negócio, investidores, imprensa e órgãos reguladores, visando capturar as percepções dos principais stakeholders da companhia.
A etapa quantitativa, por sua vez, consiste, neste primeiro momento, em uma pesquisa nas 4 localidades brasileiras onde a Aura possui operação – Apoena (MT), Almas (TO), Borborema (RN) e Serra Grande (GO). O objetivo é compreender a percepção dos moradores sobre a Aura – desde sua reputação, suas práticas operacionais, seu relacionamento com comunidades, até questões mais específicas de cada localidade. Portanto, trata-se de um retrato reputacional construído a partir do público mais diretamente impactado pela presença da mineradora.
Juntas, essas frentes constroem um diagnóstico reputacional completo: da perspectiva interna da liderança à voz das comunidades, passando pelos principais stakeholders externos. A partir de 2027, um segundo ciclo de pesquisas nas comunidades permitirá acompanhar a evolução dos indicadores e medir o impacto das ações implementadas.
Conclusão: da escuta ao ativo estratégico
O caso Aura Minerals mostra que a reputação se constrói com método, dados e escuta genuína. Em um setor onde a legitimidade para operar depende diretamente da confiança de comunidades, investidores e reguladores, o diagnóstico reputacional estruturado é o primeiro passo para transformar percepção em vantagem competitiva sustentável.
A abordagem adotada – que integra a perspectiva interna da liderança, vozes qualificadas do mercado e a fala direta das comunidades – posiciona a Aura para tomar decisões mais informadas, antecipar riscos reputacionais e construir uma presença institucional mais sólida em cada uma das regiões onde atua. Mais do que um diagnóstico, o projeto lança as bases de uma governança da reputação capaz de acompanhar a trajetória de crescimento da empresa e garantir que ela seja percebida como uma mineradora que opera com responsabilidade e contribui de maneira concreta para o desenvolvimento dos territórios que habita.
É uma leitura precisa e multidimensional da reputação de uma empresa, construída com método, dados e escuta dos públicos de interesse. No caso da Aura Minerals, combina autoavaliação de lideranças, entrevistas qualitativas com stakeholders e pesquisa quantitativa nas comunidades impactadas, além de desk research e benchmarks.
Porque, no setor de mineração, a reputação determina a capacidade de operar, crescer e ser reconhecida como parte legítima do desenvolvimento regional. Sob forte escrutínio socioambiental, exigências regulatórias e uma agenda ESG central para investidores, gerir a reputação deixou de ser opcional e tornou-se condição para a sustentabilidade do negócio.
Em frentes complementares: o Caliber Scan (autoavaliação) com mais de 40 executivos; entrevistas em profundidade com lideranças internas e comunitárias, parceiros, investidores, imprensa e reguladores; e pesquisa quantitativa nas quatro localidades brasileiras onde a Aura opera (Apoena, Almas, Borborema e Serra Grande).
A partir de 2027, um segundo ciclo de pesquisas nas comunidades permitirá acompanhar a evolução dos indicadores e medir o impacto das ações implementadas — transformando o diagnóstico inicial em acompanhamento contínuo.
Sim. A lógica que torna a reputação um ativo estratégico na mineração — escrutínio público, exigências regulatórias, atenção de investidores e dependência da confiança de comunidades — se aplica a setores de infraestrutura e a empresas reguladas em geral. Em todos esses contextos, um diagnóstico reputacional estruturado transforma percepção em base para decisão e gestão de riscos.

































