Independentemente do porte, do segmento e da geografia, todas as empresas podem passar por desafios reputacionais em algum momento da sua existência.
O recall global de alimentos infantis anunciado pela Nestlé em dezenas de países reforça uma realidade incontornável: nem mesmo as grandes organizações estão imunes a crises reputacionais. O episódio, que envolve produtos de alta sensibilidade — destinados à nutrição infantil — amplia o escrutínio de consumidores, reguladores, investidores e da sociedade como um todo. Ainda que a medida seja preventiva, os impactos previstos vão além do financeiro e atingem diretamente o capital reputacional, um ativo construído ao longo de décadas
Gestão de reputação pós-crise: resiliência se constrói antes do problema
Ao longo de sua trajetória, a Nestlé demonstrou resiliência de marca, o que leva analistas a acreditar que a empresa será capaz de atravessar mais esse momento crítico. Mas o ponto central não é apenas sobreviver à crise. A gestão de reputação pós-crise depende da preparação prévia, de estruturas de governança e de uma leitura sensível do contexto. Crises como essa podem aparecer na trajetória de qualquer empresa — e a diferença está no nível de preparo para enfrentá-las.
Avaliação de riscos reputacionais em um contexto de alta complexidade
O caso ganha ainda mais relevância por ocorrer em um momento de transição na liderança. O novo CEO da Nestlé assumiu com uma promessa pública de mais transparência, após a saída do antecessor em meio a um escândalo interno. Esse pano de fundo mostra como, mesmo em organizações gigantescas, com múltiplas camadas de controle, a avaliação de riscos reputacionais precisa ser contínua, integrada e conectada à realidade da operação e da cadeia de valor.
Mitigação de riscos reputacionais além dos muros da empresa
Um ponto-chave desse episódio está no fato de o risco não ter surgido diretamente da fábrica, mas da cadeia de valor. Isso reforça que mitigação de riscos reputacionais exige um olhar ampliado: fornecedores, parceiros, processos logísticos e padrões globais precisam estar sob monitoramento constante. A estratégia deve ser, acima de tudo, trabalhar de forma proativa para reduzir vulnerabilidades — internas e externas — antes que elas se transformem em crises.
Lições de casos de outras mega corporações: Johnson&Johnson e Boeing
Casos recentes reforçam que crises reputacionais não poupam nem as empresas mais consolidadas. A Johnson&Johnson enfrentou um desgaste significativo após anos de disputas judiciais relacionadas a um talco, o que trouxe questionamentos sobre governança, transparência e gestão de riscos ao longo do tempo. Mesmo com forte histórico no setor de saúde, o impacto reputacional mostrou-se profundo e duradouro.
Já a crise do Boeing 737 MAX evidenciou como decisões técnicas, pressão por eficiência e falhas na comunicação podem se combinar em um risco sistêmico. Em um setor onde segurança é central para a confiança, a empresa precisou ir além de ajustes operacionais, revisitando processos, cultura e relacionamento com stakeholders para iniciar a reconstrução de sua reputação.
Em comum, esses casos reforçam que mitigação de riscos reputacionais e estratégias de fortalecimento de reputação dependem menos de reações pontuais e mais de uma gestão estruturada, contínua e integrada, muito antes de a crise se materializar.
Estratégias de fortalecimento de reputação em tempos de crise permanente
Em um ambiente cada vez mais volátil, estratégias de fortalecimento de reputação passam por inteligência de dados, monitoramento contínuo da percepção social, governança clara e integração entre áreas. O caso da Nestlé reforça que é preciso proteger o capital reputacional com visão de longo prazo, escuta ativa dos stakeholders e capacidade de transformar indicadores em ação estratégica. É esse preparo que permite às organizações atravessarem crises inevitáveis sem comprometer sua perenidade. A reputação é construída — e testada — nas decisões tomadas muito antes de problemas virem à tona.





